{"id":1414,"date":"2017-04-17T02:15:56","date_gmt":"2017-04-17T02:15:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopolitica.com\/?p=1414"},"modified":"2017-04-17T02:17:01","modified_gmt":"2017-04-17T02:17:01","slug":"roberto-campos-100-anos-03","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/2017\/04\/17\/roberto-campos-100-anos-03\/","title":{"rendered":"Roberto Campos: 100 anos &#8211; 03"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.revistaamalgama.com.br\/por\/ricardo-velez-rodriguez\/\" target=\"_blank\">Ricardo V\u00e9lez-Rodr\u00edguez<\/a>\u00a0(11\/02\/2017)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">A forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica recebida por Roberto Campos o habilitou para entender em profundidade o mundo econ\u00f4mico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Comemora-se este ano o centen\u00e1rio de nascimento do grande estadista e pensador liberal Roberto Campos (1917-2001). Para recordar esta \u00edmpar figura, em sua honra publico um breve coment\u00e1rio sobre alguns aspectos da sua vida, obra e pensamento. Nestes momentos pelos que o Brasil passa, com o governo e a sociedade tentado fazer reformas para diminuir o tamanho do ineficiente Estado Patrimonialista, a lembran\u00e7a do pensamento de Roberto Campos \u00e9 norte que nos deve guiar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Durante d\u00e9cadas, a figura de Roberto Campos tentou ser riscada pelo\u00a0establishment\u00a0no interior do Itamaraty, porquanto representava um perigo para os que tinham se encastelado no regime de sesmarias ao redor de uma op\u00e7\u00e3o pelo \u201csocialismo real\u201d, ap\u00f3s a derrota dos alem\u00e3es na Segunda Guerra Mundial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Inicialmente, quando nosso autor optou por se habilitar em concurso para trabalhar no Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores em pleno Estado Novo, no ano de 1938, a maior parte dos nossos diplomatas se colocava no contexto dos interesses do Eixo. Mas, quando as for\u00e7as de Hitler come\u00e7aram a ser detonadas pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial, os diplomatas correram c\u00e9leres para se arrumarem em torno aos representantes das democracias ditas \u201cpopulares\u201d, chefiadas pela antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Guinada de 180 graus que deixou intacto, contudo, o dogmatismo e o gosto pelo \u201cpoder total\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Entre os Aliados, os itamaratianos fizeram a sua escolha: os russos, que representavam a nova for\u00e7a que se estabelecia no mundo, contr\u00e1ria aos americanos. A respeito do clima que se vivia no Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores no contexto dessa arruma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica,\u00a0escreve Roberto Campos em suas mem\u00f3rias: \u201cO Itamaraty, situado na avenida Marechal Floriano (a antiga rua Larga de S\u00e3o Joaquim), era comumente apelidado de\u00a0Butant\u00e3 da rua Larga. S\u00e3o cobras, mas fingem que s\u00e3o minhocas \u2013 dizia-me de seus colegas o admir\u00e1vel Guimar\u00e3es Rosa, que depois se tornaria o meu escritor preferido\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Roberto Campos e um grupo minorit\u00e1rio representaram a op\u00e7\u00e3o por um conceito de diplomacia afinado com a democracia ocidental e alheio \u00e0 busca do \u201cdemocratismo\u201d que terminou vingando no mundo comunista. Como ele mesmo destacava, virou uma esp\u00e9cie de \u201cprofeta da liberdade\u201d, \u00e0 maneira, ali\u00e1s, de Tocqueville, que se descrevia a si pr\u00f3prio como um \u201cJo\u00e3o Batista que prega no deserto\u201d. A respeito da op\u00e7\u00e3o liberal, observava Roberto Campos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Em nenhum momento consegui a grandeza. Em todos os momentos procurei escapar da mediocridade. Fui um pouco um ap\u00f3stolo, sem a coragem de ser m\u00e1rtir. Lutei contra as mar\u00e9s do nacional-populismo, antecipando o refluxo da onda. \u00c0s vezes ousei profetizar, n\u00e3o por ver mais que os outros, mas por ver antes. Por muito tempo, ao defender o liberalismo econ\u00f4mico, fui considerado um herege imprudente. Os acontecimentos mundiais, na vis\u00e3o de alguns, me promoveram a profeta respons\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Nosso autor definia seu compromisso intelectual com a defesa de duas vari\u00e1veis: opul\u00eancia e liberdade, que deveriam estar estreitamente ligadas para n\u00e3o degenerarem em populismos irrespons\u00e1veis. A respeito, frisava:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Neste fim de s\u00e9culo ressurgem tend\u00eancias liberais sob a forma do\u00a0capitalismo democr\u00e1tico. Este se baseia na convic\u00e7\u00e3o de que somente atrav\u00e9s do mercado se alcan\u00e7a a opul\u00eancia, enquanto que para a preserva\u00e7\u00e3o da liberdade o instrumento fundamental \u00e9 a democracia. Ambos, opul\u00eancia e liberdade s\u00e3o valores desej\u00e1veis. O mercado pode gerar opul\u00eancia sem democracia, e a democracia, sem o mercado, pode degenerar em pobreza. Conciliar o mercado, que \u00e9 o voto econ\u00f4mico, com a democracia, que \u00e9 o voto pol\u00edtico, eis a grande tarefa da era p\u00f3s-coletivista \u2013 o s\u00e9culo XXI.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Talvez o tra\u00e7o mais marcante da personalidade intelectual de Roberto Campos tenha sido a capacidade de rir de si pr\u00f3prio, estabelecendo uma saud\u00e1vel relatividade nos seus pontos de vista. Definiu-se a si mesmo, no primeiro cap\u00edtulo de sua autobiografia, como o \u201canalfabeto erudito\u201d. Analfabeto em mat\u00e9ria de especialidades cartoriais que o habilitariam para um concurso p\u00fablico. Mas erudito por uma ineg\u00e1vel forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica haurida no Semin\u00e1rio, onde cursou os estudos completos de Filosofia e Teologia, al\u00e9m de ter recebido as \u201cOrdens Menores\u201d (hosti\u00e1rio, leitor, exorcista, ac\u00f3lito). Lia com familiaridade o grego e o latim. E, for\u00e7osamente, para quem viveu anos a fio em meio \u00e0s exig\u00eancias celibat\u00e1rias, a inicia\u00e7\u00e3o sexual come\u00e7ou bastante tarde, j\u00e1 na casa dos vinte e tantos anos \u2014 como tamb\u00e9m est\u00e1 registrado, com humor, na sua obra autobiogr\u00e1fica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">A forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica no Semin\u00e1rio fez com que Campos\u00a0tivesse como pano de fundo da sua viv\u00eancia intelectual a compreens\u00e3o da complexidade das rela\u00e7\u00f5es sociais, ancorando o estudo destas na medita\u00e7\u00e3o aprofundada sobre o ser humano. Algo semelhante ao que motivou o pai do liberalismo, John Locke, a entender as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sob o pano de fundo mais largo das exig\u00eancias morais, a partir do imperativo, de inspira\u00e7\u00e3o medieval, do controle moral ao poder. N\u00e3o em v\u00e3o o maior vulto do liberalismo ingl\u00eas frequentou os estudos human\u00edsticos preparat\u00f3rios para a clerezia no Christ Church College, antes de passar pelos estudos da Medicina em Oxford que o levaram, jovem praticante, a tratar do conde de Shaftesbury e virar, pelo seu interm\u00e9dio, o principal assessor da lideran\u00e7a parlamentar no desmonte do absolutismo mon\u00e1rquico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">A forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica recebida por Roberto Campos o habilitou para entender em profundidade o mundo econ\u00f4mico, ao ensejo dos estudos feitos em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Economia, na Escola de Governo da George Washington University, sob a rigorosa orienta\u00e7\u00e3o de Edward Champion Acheson. Na mencionada universidade, ele teve contato com os maiores vultos do pensamento econ\u00f4mico da \u00e9poca, como John Donaldson, Arthur F. Burns, Gottfried Haberler, Fritz Machlup, Joseph Alois Schumpeter (que considerou que o montante das pesquisas feitas por Campos para a tese de mestrado \u201cera suficiente para uma tese doutoral\u201d), John Maynard Keynes e o papa da Escola Austr\u00edaca, Friedrich A. Hayek.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Assim, a passagem de Roberto Campos pela divis\u00e3o de \u201csecos e molhados\u201d (nome jocoso dado pelo nosso autor \u00e0 \u00e1rea de Assuntos Econ\u00f4micos do Itamaraty) foi bastante prof\u00edcua, tendo-o colocado, junto com Eug\u00eanio Gudin, na linha de frente da formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas que se tornariam, ap\u00f3s a Confer\u00eancia de Bretton Woods em 1944, a pe\u00e7a forte das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. (Da mencionada Confer\u00eancia, Roberto Campos participou como assessor da equipe brasileira chefiada pelo professor Gudin).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Duas etapas podem ser reconhecidas na forma\u00e7\u00e3o do liberalismo econ\u00f4mico de Roberto Campos: a primeira, onde a influ\u00eancia maior veio de Keynes e a segunda, j\u00e1 derrubado o Muro de Berlim, com uma aproxima\u00e7\u00e3o maior ao pensamento da Escola Austr\u00edaca. Mas sempre mantendo atenta a vista na constru\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es que conduzissem o Brasil ao pleno desenvolvimento econ\u00f4mico com preserva\u00e7\u00e3o da liberdade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Roberto Campos, cr\u00edtico do patrimonialismo. Ele foi, ao meu ver, um dos cr\u00edticos mais sistem\u00e1ticos e radicais das pr\u00e1ticas patrimonialistas com a tend\u00eancia secular a fazer do Estado neg\u00f3cio de fam\u00edlia.\u00a0Na sua \u00faltima fala no Congresso, ao se despedir da vida p\u00fablica, em 1999, frisou:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Sempre achei que um dos mais graves problemas dos subdesenvolvidos \u00e9 a sua incompet\u00eancia na descoberta dos verdadeiros inimigos. Assim, por exemplo os respons\u00e1veis pela nossa pobreza n\u00e3o s\u00e3o o liberalismo, nem o capitalismo, em que somos novi\u00e7os destreinados, e sim a infla\u00e7\u00e3o, a falta de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, e um assistencialismo governamental incompetente, que faz com que os assistentes passem melhor que os assistidos. Os inimigos do desenvolvimento n\u00e3o s\u00e3o os entreguistas que, ali\u00e1s, s\u00f3 poderiam entregar mis\u00e9ria e subdesenvolvimento, e sim os monopolistas, que cultivam inefici\u00eancias e criaram uma nova classe de privilegiados \u2013 os burgueses do Estado. Os promotores da infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a gan\u00e2ncia dos empres\u00e1rios ou a preda\u00e7\u00e3o das multinacionais e sim esse velho safado, que conosco convive desde o albor da Rep\u00fablica \u2013 o d\u00e9ficit do setor p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.revistaamalgama.com.br\/por\/ricardo-velez-rodriguez\/\" target=\"_blank\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">Ricardo V\u00e9lez-Rodr\u00edguez<\/span><\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/acaopolitica.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/unnamed.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1416\" src=\"http:\/\/acaopolitica.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/unnamed.jpg\" alt=\"\" width=\"96\" height=\"96\" srcset=\"http:\/\/acaopolitica.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/unnamed.jpg 96w, http:\/\/acaopolitica.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/unnamed-80x80.jpg 80w, http:\/\/acaopolitica.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/unnamed-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 96px) 100vw, 96px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">Colombiano, militou na extrema-esquerda at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 70. Estudou pensamento brasileiro na PUC-RJ e foi professor da Universidade Federal de Juiz de Fora.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">Publicou em 2015\u00a0<a href=\"http:\/\/www.amazon.com.br\/gp\/product\/8567394708\/ref=as_li_qf_sp_asin_il_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=8567394708&amp;linkCode=as2&amp;tag=amalgama04-20\" target=\"_blank\">A grande mentira: Lula e o patrimonialismo petista<\/a>. Colabora com o\u00a0Estad\u00e3o\u00a0e outros ve\u00edculos.<\/span><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Ricardo Bergamini<br \/>\n(48) 99636-7322<br \/>\n(48) 99976-6974<br \/>\nMembro do Grupo Pensar+ <a href=\"http:\/\/www.pontocritico.com\" target=\"_blank\">www.pontocritico.com<\/a><br \/>\n<a href=\"mailto:ricardobergamini@ricardobergamini.com.br\" target=\"_blank\">ricardobergamini@ricardobergamini.com.br<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ricardobergamini.com.br\" target=\"_blank\">www.ricardobergamini.com.br<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Ricardo V\u00e9lez-Rodr\u00edguez\u00a0(11\/02\/2017) A forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica recebida por Roberto Campos o habilitou para entender em profundidade o mundo econ\u00f4mico. Comemora-se este ano o centen\u00e1rio de nascimento&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":1415,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10,2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1414"}],"collection":[{"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1414"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1414\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1417,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1414\/revisions\/1417"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1415"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/acaopolitica.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}